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O que é madeira de lei

O que é madeira de lei

A História é uma das mais importantes áreas do conhecimento para a compreensão da vida em sociedade. Para entender os hábitos, costumes, leis e toda a forma como uma população é organizada. Por vezes podemos até não perceber a influência histórica em uma situação, mas é certo que ela existe.

Vamos partir para um exemplo mais concreto dessa ideia. Você já ouviu alguma vez a expressão “madeira de lei”? Bom, se ouviu e conhece o termo deve saber sobre que tipo de madeira se trata, materiais mais resistentes em relação aos demais. Mas porque essas madeiras são conhecidas dessa forma? Qual o sentido do termo “madeira de lei”?

É aí que entra a questão histórica que, como dito no primeiro parágrafo, permeia todas as situações. O termo “madeira de lei” se refere a uma expressão bem antiga no Brasil, quando o país ainda era uma colônia de Portugal.

Nos primórdios da colonização brasileira a grande matéria prima explorada pela metrópole portuguesa era a madeira. Uma das árvores mais extraídas inclusive dá nome ao país, o pau-brasil.

Acontece que a exploração do vasto território brasileiro chamava a atenção de outros países europeus, como franceses, ingleses, espanhóis e holandeses, que frequentemente enviavam expedições ao país sul-americano com o intuito de contrabandear suas riquezas naturais, principalmente a madeira.

Essa chegada de outros países europeus naturalmente preocupou os portugueses, que tinham interesse em manter o monopólio sobre a exploração do território e buscou medidas jurídicas para tal.

Dom João VI, rei português à época, determinou que alguns tipos de madeira só poderiam ser extraídos em território brasileiro mediante a autorização legal, e essas madeiras ficaram conhecidas como “madeira de lei”.

A primeira madeira a ser classificada dessa forma foi, claro, o pau-brasil, a mais extraída e também mais contrabandeada. Os navios estrangeiros atracavam em território brasileiro e apenas pagava pela mercadoria que já havia sido extraída por colonos ou nativos, por isso a lei fazia sentido, já que impediria que os habitantes do território nacional estariam por ela regidos.

Depois do pau-brasil, outras madeiras entraram na lista das madeiras de lei, como o jatobá e a peroba.

A lei durou até 1822, ano da independência do Brasil, quando foi revogada. Ainda assim a expressão seguiu sendo utilizada pela população. Como o conceito original já não fazia sentido por conta da inexistência da referida lei, a ideia de madeira de lei passou a ser mais relacionada às características físicas das madeiras adicionadas ao grupo.

O conceito de madeira de lei então começou a ser compreendido como madeiras pesadas, densas e de alta resistência. Com uma definição mais ampla, outras madeiras puderam ser encaixadas no grupo, por compartilharem das mesmas características. Madeiras como o mogno, cedro, jacarandá e ipê passaram a ser conhecidas também como madeiras de lei.

De uma maneira geral as madeiras de lei duram mais tempo por terem capacidade de produzir substâncias químicas que protegem seu tronco de agentes nocivos, como insetos e fungos. Dessa maneira elas conseguem sobreviver por séculos e se configuram em madeiras muito úteis para construções e outros tipos de atividades pesadas.

As madeiras de lei são geralmente mais caras do que o restante, uma vez que suas características de resistência fizeram com que elas fossem sistematicamente devastadas ao longo da história. Uma boa parte das madeiras de lei está ameaçada e existem leis que impedem seu desmatamento.

Vejamos como está a situação de algumas das madeiras de lei mais extraídas ao longo da história:

– Jatobá

É uma madeira que apresenta uma grande resistência ao entalhe, permitindo ao artesão toda a sorte de desenhos e decorações sem o risco de rachar o tronco e perder a peça. Essa é uma característica que também motivou seu uso na confecção de móveis.

Alguns dos últimos exemplares da espécie hoje habitam áreas de conservação da Amazônia e da Mata Atlântica.

– Imbuia

Uma madeira de cor escura, ocasionada por uma série de substâncias químicas que atuam em sua proteção contra fungos e insetos. A imbuia tem sua origem em florestas nos atuais estados de Paraná e São Paulo, hoje é bem raro encontrar um exemplar, já que foram indiscriminadamente desmatados para a fabricação de móveis.

Cedro

O cedro é uma madeira muito usada para a confecção de móveis e de instrumentos musicais diversos. Tem como uma de suas principais características o fato de não crescerem próximas umas das outras, gerando um grande espaço entre uma planta e outra.

Jacarandá

Uma das espécies que já foi abundante na região litorânea do nordeste brasileiro, o jacarandá é uma das árvores mais difíceis de se encontrar atualmente. Foi muito explorada para peças de decoração, instrumentos musicais, móveis luxuosos e até mesmo como adorno de joias.

Peroba

Uma das madeiras de lei originais, a peroba é também uma das árvores que mais sofreu com o desmatamento desenfreado vivido pelo Brasil desde a chegada dos europeus. A peroba era muito utilizada para construção de telhados, assoalhos, móveis e até carrocerias de caminhões. Era muito comum no interior dos estados de São Paulo e Minas Gerais.

Pau-brasil

A mais famosa da lista, sem dúvida, a árvore que batiza o Brasil e que integra o topo das árvores mais devastadas do país. Uma madeira excelente para a construção de instrumentos musicais como violinos e extremamente desmatada por conta da brasilina, um corante da cor vermelha, muito usado nos primórdios da indústria têxtil.

Existem alguns esforços de replantio da árvores ao longo do Brasil, mas trata-se de um processo longo, que precisa esperar cerca de 30 anos para que as árvores atinjam estabilidade em sua idade adulta.

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